O conforto em exagero pode matar
Não estamos preparados para resistir ao sedentarismo e ao excesso de alimento dos nossos dias. Quando o Homo sapiens saiu da África e começou sua longa jornada para Ásia, Europa e América, ele selecionou pouco a pouco os genes apropriados para resistir às infecções e escassez de alimentos. Aqueles que migraram para a Europa encontraram carne, enquanto os que viajaram para a Ásia aprenderam a sobreviver apenas com frutas, cereais e legumes. Tinham grande dificuldade para conseguir alimentos e mais ainda, para estocá-los. Por isso, a natureza encarregou-se de dotar o corpo humano de um mecanismo capaz de conservar a energia. Este consistia em impulsionar o homem, por meio da fome, a ingerir grande quantidade de calorias e fazer seu organismo transformar o excesso em gordura, armazenando-a para os períodos de carência de alimentos.
Todos tinham intensa atividade física para caçar, pescar e procurar alimentos. O LDL-colesterol, nas populações asiáticas e seus descendentes, como os índios do Brasil, era muito baixo, na ordem de 50 a 70 mg/dl, e persiste neste nível quando continuam a viver no modo tradicional.
Hoje somos ameaçados pelo conforto e desequilíbrio da alimentação
A seleção natural mudou radicalmente com o estilo de vida da era industrial que favoreceu o sedentarismo e o fácil acesso a proteínas, doces e gorduras. Os povos caucasianos resistiram melhor – apesar da progressão das doenças cardiovasculares – em razão da tradição histórica da caça, mas os povos asiáticos e ameríndios ficaram sem defesa frente à mudança do estilo de vida. Por exemplo, os japoneses que emigram o para Havaí ou Califórnia, , multiplicam por três o risco de infarto do miocárdio, simplesmente por causa da mudança na dieta alimentar.
O colesterol
É essencial à vida, imprescindível para a composição estrutural das membranas celulares, e formação de hormônios. Sua maior parte é produzida pelo fígado e o restante é ingerido através dos alimentos.
É um álcool ligado a uma substância química gordurosa – a lipoproteína. Essa união dá origem ao colesterol, que é classificado conforme sua densidade: o HDL, Hight Density Lipoprotein, sigla em inglês que significa lipoproteína de alta densidade e o LDL, Low Density Lipoprotein, de baixa densidade.
O tratamento das dislipidemias tem eficiência comprovada e visa a prevenção primária ou secundária da doença aterosclerótica coronariana, arterial cerebrovascular e periférica. Deve ser indicada sistematicamente e mantida indefinidamente.
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